Misturo os sons, embaralho os tons,desenho mil sóis,
Da terra me vem o aroma fresco da chuva anunciada pelas gotas serenas,
Desperta-se ao som do cantor mor, garboso e viril,
Como são lindos os filhotes de beija-flor.
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Terminou a parada, cada um pro seu lado, os home no encalço.
Havia uma pedra no seu caminho, no seu caminho havia uma pedra.
Já na delegacia, machucado pelas "pedras" do caminho, tinha que dar o serviço. Seu silêncio custaria muito caro.
Depois de alguns dias, algumas escoriações, fraturas, e traumas, estava de novo nas ruas. Entregue a própria sorte. Sorte seria se tivesse tempo de falar do que não foi falado.
Não teve.
O projétil, sem origem certa, tinha destino certo, certeiro. Veio num zunido, e com um filme, que em segundos o faria voltar ao passado. O seu, a única coisa da qual tinha a posse.
Lembrou-se das peladas no campinho, ao lado do lixão. Da primeira namorada, dos beijos quase sempre roubados, como tantas outras aquisições ao longo de sua pequena história. Lembrou-se do primeiro porre, o primeiro de muitos outros que vieram, seguidos de muitos outros deslizes. Baseados, carreiras, cachimbos, alucinantes, alucinados, alucinóginos.
Lembrou-se da velha mãe surrada pelo velho pai, surrado pelo filho, que era surrado pelo nada da vida. Que de tão cansados, (pai e mãe), ainda sentiam pena daquela pobre vida perdida. Lembrou-se do filho...um projeto ainda. O primeiro de uma vida.
Nenhuma lágrima, nenhum arrependimento.
Apenas um suspiro, o último. Aliviado.
Menos um.
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